Leia o soneto.
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
CORREIA, R. As pombas. In: Sinfonias. 1883.
Glossário: raia: surge; nortada: vento frio do norte; ruflando: agitando; abotoam: brotam; céleres: rápidos.
No soneto, a comparação entre pombas e sonhos se resolve na chave de ouro, que estabelece