Leia a crônica.
Sem sinal
Na minha casa, o wi-fi caiu numa quinta-feira à noite, e o mundo acabou. Pelo menos foi o que pareceu. Meu irmão andava pela sala erguendo o celular para o teto, como quem procura sinal de vida em outro planeta. Minha mãe repetia que era só reiniciar o roteador, coisa que eu já tinha feito umas mil vezes.
Sem internet, sobrou a mesa da cozinha. Meu pai tirou do armário um jogo de tabuleiro empoeirado, daqueles com dinheiro de papel. No começo, ninguém queria jogar. Uma hora depois, minha avó estava rica, meu irmão devia até as calças e eu ria tanto que chorava.
Às onze da noite, a luzinha do roteador voltou a piscar. Ninguém percebeu. Só fui notar no dia seguinte, e confesso que fiquei um pouco decepcionada.
(Texto escrito especialmente para este banco de questões.)
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